A Vida Nada Perfeita de Lucy - Capítulo 3

23:55


Os dias iam se passando e cada vez mais eu pensava em Clara. Ela nunca falou sobre o nosso beijo e, por fora, eu fingia preferir assim, mas, por dentro, eu ansiava desesperadamente que ela dissesse que não consegue esquecer o nosso beijo e que me beijasse novamente. Eu já não estava afim de continuar meu namoro com o Gustavo. Do que adiantava? Não parava de pensar na Clara e não sentia mais nada pelo Gustavo.

Eram 15:30 e eu estava sentada no sofá tentando entender o exercício de matemática, quando a campainha toca.

 Oi Gustavo - Digo ao abrir a porta e vê-lo.

— Oi amor - Ele se inclina para me beijar, mas eu me afasto automaticamente. - O que houve? Você está me evitando desde semana passada. - Me olhando, então decido acabar com isso de uma vez por todas.

— Acho melhor nós terminarmos - Falo com um tom sério.

— M-Mas porque? 

— Para mim não dá mais Gustavo. Não consigo mais fazer isso. Tenho empurrado com a barriga para não te machucar, mas isso está me sufocando - Despejo tudo de uma vez.

— Onde eu errei? Só me responde isso - Diz assumindo um tom frio que me fez perceber o quanto magoado ele estava..

— Você não errou em nada - Digo suavemente - É só que... Eu me apaixonei por outra pessoa. 

Gustavo fica um mórbido silêncio. Droga, tudo o que eu não queria era magoa-lo, mas eu não estava mais suportando isso. Não pensando em outro alguém e estando com ele ao mesmo tempo.

— Sinto muito - Peço num sussurro - Mas é o meu limite. Eu não consigo mais.

— Nunca pensei que você fosse fazer isso comigo algum dia - Fala, logo se afastando sem olhar para trás.

Fecho a porta e recosto nela, sentindo um tremendo alívio por finalmente estar livre desse peso. Não sei bem o que eu faria agora. Vinha sonhando em acabar com Gustavo e estar livre de tudo e todos para ficar com a Clara, mas não tinha pensando em um único problema: Clara nunca deu nenhum sinal sequer de estar gostando de mim.

— E agora meu Deus? - Sento no sofá tentando achar uma solução para isso. Fico perdida nos meus devaneios até que sinto meu celular vibrar ao chegar uma nova mensagem.

Te espero esse fim de semana. E nada de inventar que está doente de novo se não mato sua querida mamãezinha.

— MERDA! - Grito sem conseguir conter as lágrimas grossas que rolavam pela minha face. Quando eu me veria longe desse inferno? Não sei até quando mais eu  posso aguentar isso.

Fico ali, deixando as lágrimas que encharcam a minha blusa rolarem desenfreadas. Uns 30 min depois consigo me controlar. Vou ao banheiro lavar o rosto. Volto, pego meu material e vou para o meu quarto. Jogo os cadernos em algum canto e deito na cama afim de tentar dormir um pouco. Achei que não conseguiria dormir, mas estava tão cansada que uns minutos mais tarde eu adormeci.

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