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28/01/2017

Desconstruindo a Descontrução


Se alguém aqui me tem nas redes sociais, sabe que eu sou totalmente emponderada, desconstruída e feminista. Porém esses dias num dos grupos de cabelo que eu sigo no facebook, uma mana pois essa foto que vocês estão vendo como ilustração do post perguntando se alguém concordava. Eu concordo, porém o que me deixou muito chateada foi ver pessoas, tanto lisas quanto cacheadas dizendo que eram sim rainhas por terem cabelo cacheado e teve até uma dizendo que cacheadas eram rainhas e todas as outras eram princesas, para se acostumar com isso.

Exatamente o que foi lido. Eu penso que, do que adianta sair de um padrão, pagar de desconstruída para entrar em outro? Do que adianta falar sobre preconceito com cacheadas e praticar esse preconceito contra lisas, onduladas, carequinhas e do jeito que for. Eu comentei que não importava o jeito, todas nós éramos rainhas e a resposta que eu obtive? Que eu era infantil, que estava de mimimi.

Incrível como a maioria dos seres humanos não conseguem ficar fora de um padrão. É incrível que eles tem que se libertar de um para julgar outros. Cara, ótimo que você seja desconstruída, que aceitou seu black ou só seus lindos cachos, sim você é uma rainha, mas a amiga que não consegue ou não gosta do próprio cabelo cacheado e prefere liso por se achar mais bonita ou prático assim, não a faz menos rainha. Pelo contrário. Ela está na mesma situação que você. O importante não é seguir algum tipo de padrão e sim ser feliz e se sentir linda do jeito que for.

Se você tem esse pensamento de que só cacheadas são rainhas, está na hora de parar um pouco e usar a massa encefálica que existe em você. Ela não está aí à toa e você precisa entender que TODAS NÓS somos rainhas independente do jeito que formos. Então, vamos pensar um pouco. Nossa mana não precisa ouvir que ela é menos só porque tem cabelo liso ou prefere alisar.

20/01/2017

Responsabilidades


Hoje eu levo vida de gente grande. Tenho responsabilidades, contas, trabalho. Coisas que você imagina ser fácil contornar, mas não é. Eu não fazia ideia de como minha mãe sabia se virar. Como tinha a cabeça no lugar, mesmo com tantas loucuras. É incrível o jeito que minha cabeça desandou no mesmo ritmo que minha vida se acertou. Brigas, intrigas, casa para cuidar, trabalho por fazer.

A verdade é que quando eu morava com meus pais, eu vivia em uma bolha. Eu achava que sabia o que era morar sozinho quando meus pais viajavam e me deixavam cuidando da casa. Eu estudava, dependendo de quanto tempo fossem ficar fora, eu fazia as compras, mas nunca tive a responsabilidade de manter a casa. Por mais que eu achasse que estava fazendo isso.

É desesperador as vezes. A insegurança, vontade de sumir, de jogar tudo para o alto, mas ai eu tenho meus momentos de liberdade, de sair com quem quiser, dormir até não aguentar mais ficar na minha cama, comer ou não comer. E é nessas horas que eu vejo que morar sozinha é tudo o que eu queria.

27/04/2016

Pela Primeira Vez


E pela primeira vez eu sinto o frio na barriga. Finalmente sei o que é estar livre e poder fazer algo que eu realmente quis fazer. Sinto-me liberta ao olhar pelas grandes janelas do apartamento e ver toda a cidade de Las Vegas lá em baixo e saber que a partir de agora, sou eu e eu. Nada de pessoas me forçando a fazer as escolhas que eles fariam, ou me dizendo que sempre estou errada. É fascinante olhar minhas malas no chão e saber que amanhã a essa hora estarei no meu primeiro dia de trabalho num bar a três ruas daqui.

Trabalho esse a qual cresci ouvindo que era de "mulheres da vida" e que eu tinha que ser algo mais, quando tudo o que eu queria era viajar, arrumar um emprego e viver minha vida. Não importando qual fosse. Nunca tive essa necessidade de ganhar muito dinheiro. Só queria ser livre, ser feliz. Agora eu posso ter tudo isso. Posso me libertar do passado que é aterrorizante, das lembranças inquietas, da família preconceituosa, do namorado controlador. Finalmente, ao ver os cassinos luxuosos e grandiosos a minha frente, vejo que valeu a pena ter largado tudo para traz.

Agora eu tenho tudo o que sonhei. Não importa se estou sozinha, afinal é como eu sempre gostei de estar.

26/04/2016

Trechos



"Ela tem um ar irônico, desconfiado. Vive na dela, apenas observando tudo ao seu redor. Não se impressiona com pouco, mas também não desdenha de nada. É simples, quieta e tem um ar sedutor que me faz perder o fio de meu pensamento. Garota dos meus sonhos essa. É tranquila e agitada, a calmaria e a tempestade."

— Bruna Gomes

03/07/2015

Lembranças - Parte 2


Já se passaram dois anos desde o meu maior erro, mas parece ter sido ontem. É estranho como algo assim nos marca tanto. Marca mais ainda quando você se apaixona pela pessoa errada e se deixa levar.

Fiz de tudo para tentar esquecer, eu mudei. Mas nem assim consegui. Dizem que para uma mulher se renovar ela troca o corte de cabelo, a cor do mesmo, o guarda-roupas. Eu fiz tudo isso. Virei uma nova mulher. Troquei até mesmo de país, porém as lembranças vieram comigo para me atormentar.

Chega. Está na hora de levantar, já estou atrasada. Hoje é um daqueles dias quais eu só quero ficar o dia inteiro deitada na minha cama escondida do mundo enquanto revivo as sensações das mãos dele percorrendo por meu corpo, mas é segunda-feira e tenho horário a cumprir apesar do atraso.

Tento me arrumar o mais rápido possível e pego minhas coisas e minha caneca de café. Só não sabia que daria de cara com ele. Uau, como ele estava diferente, mas continuava lindo. O cabelo desgrenhado, a barba por fazer - tenho certeza que a sensação dels roçando no meu pescoço seria deliciosa - e um jeito despojado de se vestir. Estava mais forte, mais alto.

Meu susto foi tão grande que deixei minha caneca de café cair em cima dele. Mesmo depois de dois anos eu continuava sendo a mestre do desastre.

- Perdão - É só o que eu conseguia dizer enquanto ele tirava a camisa e eu ficava sem ar. Como alguém tão canalha podia ser tão lindo?

Estava tão atrasada que não sabia o que fazer e acabei fugindo por um elevador que se abrira. O que foi que eu acabei de fazer? Perdi a maior chance da minha vida! E dai que ele não prestasse? Está comprovado, eu sou a pessoa mais idiota do mundo!

O elevador abre as postas no térreo, mas eu não desço e aperto o botão do 10° andar - meu andar, onde o cara dos meus sonhos estava à dois minutos -, mas ele já não estava lá. Óbvio, como sempre eu perdi a minha chance, mas o que eu iria falar também? Tudo o que eu podia falar eu falei, como puxar assunto com a pessoa cujo você acabou de derramar uma caneca cheia de café na camisa branquinha dele?

Decido chamar o elevador de novo. Dessa vez está demorando tanto que penso em desistir e ir pela escadaria até que finalmente as portas se abrem, mas dois braços fortes que me abraçam pela cintura não me permitem entrar.

- Finalmente. Depois de dois anos procurando eu consegui te achar.

30/04/2015

Esse é o meu jeito


Muita gente critica o meu jeito, o meu modo de andar e falar, o meu cabelo e também o meu modo de agir. Já me importei muito com isso quando eu era menor. Tentava agradar, mudava meu jeito, chorava sozinha por não gostarem de mim, mas hoje é diferente.

Eu aprendi que eu preciso me aceitar. Ter orgulho de quem eu sou, pois ninguém paga as minhas contas, ninguém sabe o que já passei para chegar onde estou. Já cheguei até mesmo a me cortar diversas vezes e admito que tem situações que essa vontade volta, mas sei que de nada isso vai adiantar.

Tem muita gente que não gosta do meu cabelo detonado, meu corpo magro, meu rosto pálido, meu jeito louco e sincero, mas também tem gente que gosta. São poucos, mas são esses poucos que valem a pena. Aprendi que é perca de tempo chorar, se cortar ou mudar o que você é só porque existe uma sociedade onde tudo se é rotulado. Não sou obrigada a andar com determinada roupa só porque "está na moda". Quem faz a minha moda sou eu e eu uso o que quiser.

O padrão de beleza que a sociedade tanto preza, na minha opinião, não existe. Como eles podem ter certeza de que aquilo realmente é a beleza? Cada um é lindo a sua maneira e jeito. Para mim, beleza é igual ao "certo e errado". Cada um tem seu ponto de vista.

06/02/2015

Clichês da Mudança


Me surpreendo quando olho para trás e vejo como estou mudada. Larguei a boneca por uma garrafa de vodka, o rosa pelo preto, os vestidinhos por um shorts jeans, as sandálias por um par de All Star, a inocência pela malícia, a bondade pela ironia. Eu sei que as pessoas mudam de acordo com que o tempo passa, mas uma mudança tão drástica assim?

Fico pensando se a criança que eu fui se orgulharia da garota-mulher que sou hoje, mas acho que não. Não quando se troca o pirulito favorito por um maço de cigarro. As vezes queria voltar para aquele tempo. Onde tudo o que doía eram em mim eram os cortes que eu tinha devido aos piques, queimada e etc. Voltar para aquela inocência boa de criança. Mas ao mesmo tempo prefiro continuar assim. Em meio aos meus prazeres e desejos. Parece algo sadomasoquista, mas não é.

Hoje em dia não ligo para bonecas vestidinhos fofinhos e esses clichês infantis. Prefiro minha garrafa de vodka - que, por falar nisso, tenho que comprar outra -, meu maço de cigarro, minhas roupas desfiadas e desleixadas, meu All Star surrado. Eu tenho até um namorado. Sei que você deve estar pensando em como uma drogada - por que tenho certeza que é assim que você esta me chamando agora - arranjou um namorado, mas essa é a vida não é mesmo?

Prefiro ficar aqui na minha casa bebendo, fumando e fazendo sexo com ele do que voltar ao tormento de minha infância . Do que adianta uma criança inocente se ela vive num lugar podre? Prefiro um demônio no céu do que um anjo no inferno.

05/02/2015

Desabafo de uma qualquer


Medo. Porque será que tudo o que eu faço sempre se transforma em medo? Tenho medo de por uma cor nova de batom, de por um roupa diferente do habitual, de ir a algum lugar que não esteja acostumada. Medo de mudanças, de que as pessoas se magoem, me deixem. É um medo estranho. O famoso "Medo de Tudo". O mais estranho é que, ao mesmo tempo que sou covarde, tenho uma coragem imensa.

Tenho medo das pessoas me magoarem, mas não exito em me entregar para um novo amor. Medo de por um tom diferente de batom em meus lábios, mas os cabelos estão com cores berrantes e diferenciadas a cada semana. Eu diria que tenho medos absurdos e coragens gigantescas.

São poucas as pessoas pessoas que teriam coragem de por diversos piercings diferentes no rosto como eu tenho (e vou fazer). Poucas as que ouvem apelidos ridículos por causa do cabelo detonado e colorido e ainda acha graça pensando: "Como são idiotas. Será que não percebem que não ligo?". Poucas são as pessoas que se expõem verdadeiramente e de coração.

Porque diabos eu comecei esse texto? Por estar sozinha com papel e caneta em mãos nessa noite chuvosa? Talvez. Nem eu sei ao certo, mas as palavras tem que se organizar em algum lugar. Não querem se ajeitar em minha mente? Ótimo, ajeito-as em um papel.

Admito que tenho mais medos. Não apenas esses que citei. Tenho medo de aranhas, medo do escuro (mesmo adorando ficar nele) e do que se esconde nele e muitos mais. Agora, é outro medo que me causa pânico. O de me expor. Dizer o que penso. Lutar por aquilo que acredito. Medo de acabar desapontando as pessoas que amo por eu não pensar do jeito que elas querem.

04/02/2015

Lembranças


Sentada na escrivaninha com um pedaço de papel, um lápis e uma caneca de café, ele domina meus pensamentos. O sorriso dele ocupa minha mente e quando percebo já o estou desenhando. Um rosto sereno, de feições traiçoeiras, mas ao mesmo tempo confiáveis. E uma boca que me faz querer passar o restante da vida beijando-o.

Toda vez é isso. A cada segundo ele está rondando pelas frestinhas de minha mente à espera de uma pequenina brecha para invadir meu subconsciente.

Sim, ele me domina, mas ele não faz ideia. Para falar a verdade, acho que mesmo se soubesse, pouco se importaria. Ele é assim. Canalha, cafajeste, mas tenho que admitir que foi a canalhice dele que me fez pensar nele até descobrir estar apaixonada.


Como alguém pode ser tão canalha? Eu me perguntava - e me pergunto até hoje - sem achar uma resposta.


Eu deveria saber o que aconteceria. Era obrigatório que eu percebesse que seria só mais uma para a coleção dele. Apenas mais uma que caiu nas “garras dele”. E que garras. 


Foi nessa hora que percebi o que estava sentindo. Ainda lembro de cada minúsculo detalhe da noite em que me deixei levar. O toque suave das mãos dele em meu corpo. Sua voz suave que murmurava doces mentiras aos meus ouvidos. Lembro-me bem de cada sensação que tive, cada pensamento bobo de que talvez, só talvez, eu pudesse tê-lo para mim.


Sei que fui tola, uma boba apaixonada, mas não resisti. Não consegui ser forte o suficiente para saber que tudo o que eu conseguiria fazer seria magoar-me. Estava indefesa, minhas barreiras tinham sido demolidas e meus bloqueios, desfeitos

03/04/2014

Texton


Eu, graças a uma amiga minha, conheci o Texton. É um site onde você pode ser textos/livros incríveis e publicar os seus. É inteiramente grátis e muito perfeito. Eu amei demais esse site e, pra quem acompanha A Vida Nada Perfeita de Lucy, ele também está sendo publicado lá >.<

Para quem gosta de ler histórias novas e também de escrever, esse é um ótimo site!

Estou Quebrada...


Sonhos destruídos e coração quebrado. É isso que eu ganho por confiar nas pessoas. "Dessa vez vai ser diferente" é o que eu penso toda vez, mas, pela minha experiência, eu já deveria ter percebido que nada nunca é diferente. Sempre confio nas promessas vazias e me machuco. É foda. Isso dói, dói de mais. Parece que, para todos, meu coração nunca está quebrado o suficiente, pois sempre vem alguém com palavras mansas, carícias, promessas, somente para logo depois quebrar todas as juras de amor eterno. Me deixando sozinha e quebrada.

Qual é o prazer disso? Qual a graça de encher uma pessoa de esperança de poder ser novamente feliz somente para depois quebrá-la em pedaços tão pequenos que ela jura não poder se reconstruir.  

É sempre assim, uma pessoa que só quer ser feliz é sempre enganada por algum idiota e isso sempre a faz ficar mais e mais fria, até que ela deixa de acreditar nos sonhos e na beleza da vida. Esse ciclo só se completa quando chega alguém fazendo-a acreditar novamente, só para magoá-la  novamente.

E é assim que nasce o ódio.

22/01/2014

Ser Blogueira Cansa SIM!


"Vida de blogueira é fácil!"

"Me diz como ficar sentada na frente de um computador é cansativo?! Se fosse você não ficava!"

"Deixa de ser dramática! Blogueira nem é profissão. Como pode ser exaustivo e cansativo?

Quantas de vocês já ouviram uma das frases acima? Muitas já ouviram todas elas de pessoas que não dão valor ao nosso trabalho.

Eles só dizem isso porque não sabem como a coluna de muitas de nós (inclusive a minha x-x) reclama depois de um certo tempo curvada na frente do pc, como nossos olhos e nossa cabeça latejam devido as intensas horas expostas a claridade do computador, não sei vocês, mas meus olhos uma hora começam a embaçar... São todas essas coisas fora o trabalho para pensar em como conseguir por determinados sentimentos em palavras que fiquem organizadas num texto. O trabalho que dá para conseguir criatividade e inspiração para criar os mais variados posts. O trabalhão que dá para ficar antenada nas últimas modas (eu NUNCA consigo x-x por isso vocês não vêem nada sobre as últimas tendências de moda por aqui x-x).

Eu não sei bem o porque eu resolvi fazer esse post, só sei que resolvi.

Acho que foi a indignação de muitas pessoas não reconhecerem nosso valor.

Mas eu acho que era mais para desabafar mesmo. Ufa! Estou melhor agora.

Sentimentos Escritos


Eu vi uma foto no face que dizia que escrever sobre os sentimentos era mais fácil que falar sobre eles e fiquei pensando sobre ela. Eu cheguei a conclusão que concordo com essa foto, pois eu sempre fui assim. Sempre me dei bem ao escrever sobre os sentimentos, mas nunca soube falar o que estava sentindo. Podia estar sentindo tudo ao mesmo tempo, mas eu não saberia explicar nenhum deles. Para falar a verdade isso sempre acontece comigo. Sinto tudo, mas não sei explicar nada. Estranho. Pelo menos para mim.

Nunca fui uma garota muito comunicativa como a minha irmã mais nova ou a minha mãe. Sempre fui muito tímida. Aliás, mentira. eu já fui muito comunicativa, mas a sociedade foi fazendo eu me retrair e me tornar tímida com todos esses preconceitos que ela tem. Então acabei me fechando e me isolando no meu próprio mundo e isso fez com que eu não conseguisse mais me expressar.

Foi ai que comecei a descobrir outros meios de me expressar. A dança, a música e a escrita.

Não sou boa em ler em voz alta, o que é estranho, pois leio milhares de livros à 7 anos, mas sou boa na escrita. Principalmente se o assunto se tratar de sentimentos. Não vou dizer que sou expert, pois não sou. Ao contrário, sei muito pouco sobre isso, mas dou o meu melhor. Mas não pensem que é fácil escrever, pois é difícil passar os sentimentos para o papel de uma forma que fique coerente quando sua cabeça está incoerente. Nesse momento agora, enquanto escrevo esse texto, minha cabeça está um turbilhão de sentimentos.

Mas, para mim, não é apenas minha cabeça que está incoerente. O mundo em si está incoerente.

Isso tudo faz com que eu prefira mais e mais meu mundinho de músicas, livros e animes.

21/01/2014

Dia certo


— Me perdoe? - Você diz enquanto estende os braços para me abraçar, mas de repente ouço um barulho estranho e sua imagem começa a sumir.

Acordo com o maldito som do despertador e percebo que foi somente mais um dos milhares sonhos que tenho contigo. Me reviro na cama tentando voltar a dormir. O mundo da imaginação é melhor que a minha realidade. Não consigo.

Decido sair da cama me amaldiçoando por ter esquecido de desligar o despertador ontem a noite. 

— Que ótimo! Em pleno sábado acordo às 06:00 - Bufo irritada. 

Saio andando pela casa e a irritação logo cede seu lugar a tristeza. Cada centímetro da nossa casa me lembra você. Ainda tento entender onde errei. O que eu fiz para você me trocar. Não entendo e o pior é que fico me remoendo e me lamentando por isso. Sou idiota? Sim, e como sou. Deveria estar seguindo minha vida, mas não, estou aqui, sozinha, com lágrimas escorrendo novamente do meu rosto ao pensar que a essa hora você está dormindo abraçado nela.

Dói muito saber que não suficiente para você. Dediquei tudo o que eu pude e o que eu não pude a você. Pra quê? Para ser jogada de lado como eu fui.

— Sua burra. - Digo a mim mesma enquanto seco as lágrimas que insistem em cair. 

Não aguento mais ficar presa dentro de casa. Troco de roupa e saio, mas acabo ficando pior.

Chego ao parque, nosso local favorito. Tudo me lembra o que vivemos. Tudo. Sento no banco chorando. Todos passam e com certeza me olham. Não estou nem ai.

Choro tanto que soluço. Passei tempo demais segurando o choro.

— Não chore. - Ouço uma voz suave dizendo enquanto acaricia meus cabelos. Levanto o rosto e vejo uma menina de uns 6 ou 7 anos. — Se ele te deixou, é porque algo melhor vem.

Ao dizer isso a menina se afasta correndo e desaparece em meio as árvores do parque.